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Bate-papo

21 jul 2014

Hora do Chá – Francine Lacerda

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Romantismo e retrô arrematados por um toque artesanal e bem sofisticado. Estes são alguns dos conceitos que penso sobre a convidada da vez. A Fran Lacerda é dona da marca Francine Larcerda – Criações Têxteis e é quem toma um chá comigo hoje. Conheci a Fran por meio da Ju Padilha e foi mais um encontro que valeu muito a pena. Lembra de uma das minhas passagens por Sampa? Então, em uma dessas, depois de um almoço foi a Fran que me levou pra conhecer o Vintage, um café, restaurante e brechó na Vila Madalena lindo de viver. Relembra aqui!

A Fran é uma querida. Publicitária de formação é também Estilista. Gaúcha radicada em São Paulo, cria peças que deixam qualquer mulher mais bonita. Sério, sem pieguices. É que com o corte das suas roupas, impossível não ficar mais feminina, mais bonita, com aquela cintura marcada. Até eu que comi demais e tenho pedido a vida pra devolver além das minhas fantasias, a minha antiga cintura. A Fran além de produzir peças em tecido, crochê e tricô oferece cursos de modelagem e tricô, então, quem tá em Sampa perde tempo não. Você pode encontrar com ela todas as quintas, às 17h em ponto pro 5 o´clock coluna da sua Fanpage baseada no tradicional chá das 5 dos Ingleses onde ela fala sempre de alguma curiosidade ou novidade da cultura da Inglaterra. Acessa o site desta mocinha que parece boneca de revista vintage e aproveita!

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Ateliê CM: Fran vejo que o Vintage, o Retrô não são apenas estilos de suas criações, mas também um estilo de vida, uma questão bem pessoal. Quando eles entraram em sua vida? Qual a primeira lembrança sobre isso?

Francine Lacerda: Olha, confesso que já passei por vários estilos, estou sempre em transformação, não tenho medo de  mudanças. J Mas eu sempre fui apaixonada pela estética do início dos 1900. Assisti muitos filmes da época, dos mudos aos musicais, adorava tudo aquilo. E acabou que tudo isso se refletia nas minhas criações inconscientemente. Eu adoro cozinhar, costurar, fazer tricô e crochê e receber bem em casa, isso é um pouco um estilo retrô, né?! A minha casa também tem uma decoração meio vintage, meio vovó, mesclado com o contemporâneo. Eu o o Evê meu marido, gostamos muito do estilo clean, minimalista na decoração, nosso apartamento era assim, mas nossos gostos foram mudando, e decidimos mudar para uma casa, que é totalmente vintage e fofa. Ao pesquisar referências para a decoração, vimos que nossos olhos sempre brilhavam com as cores e objetos mais retrô e assim fomos assumindo esse estilo.

Ateliê CM: E como começou a costurar?

Francine Lacerda: Sou formada em Publicidade, mas na faculdade eu percebi que eu gostava mesmo era de moda. Fiz alguns cursos de criação e logo comecei a trabalhar como estilista. Trabalhava com criação e coordenação de coleções, mas sentia falta de pôr a mão na massa. Comprei uma máquina de costura e fui aprendendo sozinha. Comecei fazendo bolsas para mim, logo as amigas começaram a encomendar e acabei abrindo a Francine Lacerda Criações Têxteis. Mas como a minha paixão sempre foi roupas, fui atrás de cursos de modelagem e corte e costura para aprimorara a técnica, e assim em dezembro de 2010 nasceu a marca como ela é hoje.

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Ateliê CM: Como você adapta o Vintage para nossa cultura e para o nosso clima, por exemplo?

Francine Lacerda: Nunca pensei muito nisso hahaha As minhas criações são inspiradas na estética da época, mas não são réplicas, conversam muito bem com o que acontece agora.

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Ateliê CM: Creio que o Cinema foi um dos grandes responsáveis pela disseminação da moda.  A sétima arte faz parte das suas criações? Como ela te inspira?

Francine Lacerda: Sim, o cinema sempre gerou um encantamento em mim. E através dele fui encontrando a minha inspiração, o meu caminho. O cinema oferece essa oportunidade de conhecer outras épocas, outros costumes e estéticas muitas vezes esquecidas.

Ateliê CM: Explica um pouquinho como funciona o 5 o’clock? De onde surgiu a ideia?

Francine Lacerda: Uma querida amiga mudou-se recentemente para Londres, cidade que amo demais e acho que tem tudo a ver com o meu estilo, consequentemente com o estilo da marca. A Thaís criou um blog para dar dicas da cidade que ela vai descobrindo aos poucos e assim tive a ideia de unirmos forças, criando conteúdo para o meu público e divulgando o novo blog. E aproveitando o tema da coluna, proponho um look para o passeio sugerido. Tem sido muito legal!

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Ateliê CM: Existem desafios em traduzir pra contemporaneidade um estilo que já foi vivido? Ou limites no tempo não existem quando se fala em moda?

Francine Lacerda: Eu acredito que um bom design é atemporal. E um estilo que já foi vivido, tem que evoluir, se fundir com o atual, do contrário vira uma fantasia. Acho que o segredo é trazer elementos das épocas passadas e agregar a vida contemporânea.

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Ateliê CM: Em sua opinião, quais seriam as maiores dificuldades da criação artesanal?

Francine Lacera: Acho que no Brasil o grande problema é o preconceito com o artesanato. Acredito que esteja mudando, mas ainda tem muita gente que desvaloriza o trabalho artesanal. Na moda ainda existe a questão do status, de consumir produtos, muitas vezes de qualidade inferior, mas que tenham a marca de prestigio. Felizmente tem gente que sabe valorizar um trabalho de qualidade, percebe o carinho, o cuidado com a criação e construção do trabalho feito a mão. E é nesse público que invisto e quero atingir.

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Ateliê CM: Quais os planos pra Francine Lacerda – Criações Têxteis?

Francine Lacerda: A grande novidade é que agora dou cursos, ensino  as técnicas que tanto gosto de aplicar no meu trabalho. São oficinas de Tricô e Crochê e um curso de modelagem de roupas femininas. Ensinar é um prazer, ver o desenvolvimento de novas habilidades, e a troca de experiências. Estou muito feliz com esse novo projeto.

Ateliê CM: Obrigada, Fran querida! Volta sempre que quiser!

26 jun 2014

Hora do Chá com Márcia Marinho

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Conheci a Marcinha há um tempo por meio do A Casa que minha Vó queria. Ela contribui com PAPs fofos de costura e decor pro blog e logo me encantei. A Marcinha é dona da Tem Colheita, ou Temco, blog e marca de costuras e foi a partir daí que fiquei mais admirada. Lembro que acessei o blog da Marcinha e em “prosas” onde ela escreve o que quer, sobre cotidiano, impressões, opiniões, li tudo, tudinho de vez. É sensível, simples, humana, generosa. Um coração giga e sorte de quem cabe nele. Além de tudo a Marcinha é o perfeito exemplo de disciplina e organização, o que titia aqui peca horrores. A moçoila organiza retalho de tecido por cor, tudo tem sua caixinha, cada pedaço, cada fio e por isso é uma excelente profissional, criando várias, mas digo, várias e várias peças em tecido, crochê e outros materiais. Desde pequenos brindes, a mochilas e mantas. Mas é na costura que o trabalho dela predomina com ideias lindas que quem é sensível reconhece a grandeza.

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Em tempos de gente valorizando o plástico e outros materiais, ter a Marcinha criando toda semana algo novo em tecido é reconfortante. Há tempos li algo que desdenhava da decoração voltada às mulheres incluindo itens em tecido. Pena. A costura e outras tantas técnicas não é mais um privilégio feminino, nem algo mínimo pra ser subestimado. É expressão, é sustento, é transformação, é arte. Se há 50 mil que não gostam de uma almofada de tecido, há outros 50 mil que gostam e cabe a cada um aceitar o que lhe agrada. Como me agrada e muito, trago a Marcinha pra apresentar a vocês! O Temco tá super disponível pra quem quiser conhecer o trabalho da Marcinha. Lá também tem o link pra lojinha pra você fazer sua colheita!

Aproveita que o inverno chegou, que o chá tá quente e vem com a gente!

Ateliê Casa de Maria: Marcinha, você passou quase duas décadas trabalhando na aviação em São Paulo. Como se deu essa passagem pra o mundo das artes? Quando percebeu que precisava desta mudança?

Marcinha: Digo sempre que foi um momento jamais planejado. Só pensava, brincava com isso. Até que um dia acordei para ir trabalhar e veio aquele “insight”: “Hoje eu mudo totalmente a minha vida”. Chegando no aeroporto conversei com meus supervisores e gerente que não acreditaram, mas carinhosamente e me dando total apoio deram o aval da despedida. Realmente se pensarmos muito não fazemos nada. Tinha medo do comodismo, tinha sede pelo que desconhecia. Acho que posso dizer que eu mesma “mexi no meu queijo”. Mas dou um conselho, não faça porque eu fiz, cada um com seu livro e história rs .

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Ateliê Casa de Maria: Sua criação te ajudou a enfrentar momentos difíceis da sua vida?

Marcinha: Ela não me ajudou, ao contrário me afastei. Coloquei a loja como pronta entrega para que pudesse aproveitar os momentos aos quais me sentia bem e assim produzir. As cores nesse período da minha vida tornaram-se apenas preto e branco.  Não me aguçavam em nada. Pouco entrava no ateliê (só quando me sentia bem mesmo). Eu preciso estar bem para que tudo flua, aconteça, se transforme. É de mim para o que está em volta. E tive amigos anjos para me auxiliarem no resgate interno. Aquele ouvir, ouvir, ler, ler (não sei explicar como dedicaram tanto amor)…foi um resgate das coisas que não tocamos na vida. Apenas sentimos como uma leve brisa. Sou grata eternamente a quem de alguma forma conseguiu quebrar a barreira e ficar ao meu lado. Porque quis e me isolei completamente de todos.

Ateliê Casa de Maria: Você mantém um diário dentro do blog que é uma delícia de ler. É de uma sensibilidade imensa. Você demonstra gratidão e paciência com a vida. Ter se mudado pra o interior te vez questionar mais esses valores?

Marcinha: Fez sim, mas interior não é tão calmo como no tempo da “vovó” rs. Mas ainda assim descubro o rústico no dia a dia. Diariamente tenho uma aula do “isso não posso mudar”. É difícil, mas ao mesmo tempo me faz crescer. Amo escrever e na verdade espero um pequeno capítulo para poder de fato escrever e unir esses elos vagos. É a espera “daquele post” rsrsrs. Alcancei um degrau na paciência (que bom que notou). Só preciso deixar um pouco de ser tão transparente. Gratidão é uma joia preciosa e rara. Mas gosto de chegar nos lugares, a maioria comércio e brincar. Eles saberem do que eu gosto, de prosear sobre nossas vidas. Aprendo demais.

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Ateliê Casa de Maria: Você é um exemplo de disciplina e organização citado em inúmeros outros meios. Escreve sempre sobre isso, contribui com outros veículos e, além disso mostra mesmo como se manter assim. Talvez estas duas palavrinhas sejam o segredo pra quem trabalha em casa?

Marcinha: O artesanato me ajudou a ser mais desprendida do sempre organizada sistemática que sempre fui. Hoje deixo a bagunça fluir, mas esta bagunça na verdade tem seu devido lugar, quando termino o trabalho, em 5 , 10 minutos tudo já está no lugar. Com cada item tendo seu devido lugar, nunca mais a preguiça tomará conta. Uma vez por mês limpo geral e lavo. Realmente é um assunto que amo falar e praticar. Ahhh e a organização e limpeza tem que ser de forma que te deixe livre, feliz para aproveitar e não robotizado que não se sente nem a vontade para sentar depois.

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Ateliê Casa de Maria: Outra questão que você levanta muitas vezes com o seu trabalho é o respeito que você tem com ele e espera que todos tenham. Mas infelizmente, muitos não entendem que a rotina e os horários de quem trabalha em casa são os mesmos de quem trabalha fora de casa. Precisam ser cumpridos e requer responsabilidade. De que forma tenta fazer isso perceptível aos outros?

Marcinha: Vejo que muitos sofrem com certos preconceitos, mas quem faz parte ou começa a fazer parte da minha vida entende de bate pronto e isso cabe a cada um de nós deixarmos  claro. O outro sempre vai fazer o que você permite. Sempre tento passar isso a quem passa no blog. Não é que o outro não respeita o teu horário ou afins, é você quem não deixa isso claro (você não se leva a sério). Ter rotina, separar páginas (pessoal da profissional), cuidado com as fotos são pequenos gestos que ajudam. Procurar entender, aprender o que você de fato quer pra você. Artesanato não é só o “bonitinho”. É investimento e alto.

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Ateliê Casa de Maria: Dá pra ver que você cultiva os detalhes bons da vida diante de acontecimentos simples, de um passeio pelo bairro ou uma viagem rápida. Seriam essas suas fontes de inspiração ou existem mais?

Marcinha: São. Amo simplesmente fechar a porta e ir comer algo na padaria do supermercado e conversar, rir com os funcionários. Alguém chegar e falar  vamos ali comigo (pé na estrada mesmo) .  E quando vou de ônibus acabo conhecendo a história de quem está do lado, é como se fosse um documentário. Gosto de observar. Estando bem comigo consigo fazer a festa sozinha em casa, fotografar a cidade, pequenos detalhes. Amo demais o silêncio.

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Ateliê Casa de Maria: Já falamos sobre disciplina e organização pra seguir com o negócio home office e artesanal. Mas em sua opinião, teria mais algum? Ou com isso (disciplina e organização) só depende de uma outra palavra: atitude?

Marcinha: ATITUDE. Recebo muitos comentários: “Vou ser assim quando crescer”, “Ah, que legal!” “Te admiro muito”. Não, começa já. Enquanto não damos o primeiro passo tudo continua do mesmo jeito e ao contrário acumula-se.  Às vezes o que imaginamos ser um problemão não é  um probleminha quando de fato encaramos. E fazendo, tudo se transforma. Não é a grama do vizinho que está bonita, é você quem não está regando a sua. E esta pode ser tão ou mais verde e florida. Outro detalhe: não use a palavra inspiração para ser o outro. Anote, solte suas ideias, planos, se encontre, se reconheça. É isso que tento passar.

É muito bom ter um trabalho e ser reconhecido nele. E imagina que péssimo alguém olhar e não te enxergar ali?

Ateliê Casa de Maria: Um beijo, Marcinha, obrigada de coração!

 

 

 

 

 

28 maio 2014

Hora do Chá com Vivianne Pontes

Foto: Blog dcoracao.com

“Ê fia, keide tu?” Oo minha gente, tô de volta aqui com um Hora do Chá super bacana! Demorei pra voltar depois de tanta coisa acontecendo, viagem pra lá, evento pra cá e os posts sobre isso não podiam esperar.

Eu te apresento agora uma pessoa altamente descolada. Quer dizer, tu e o Brasil conhecem, com certeza. Adoro o trabalho dela. A Vivianne Pontes é editora de um blog muito legal, o dcoracao.com, além de ser Jornalista e Designer de Interiores. É também colunista do Jornal Extra há quatro anos. Acho o trabalho da Vivianne super antenado, multi, poli. Como os crafters, profissionais de design, jornalismo e de outras áreas, óbvio, devem ser. É cheio de influências, facetas, permissivo e me identifico muito. Quando ela posta o que faz nas casas dos clientes, eu abro um sorrisão porque é o que muitas vezes penso pra um ambiente no que diz à técnica, possibilidades, experiências, tentativas. E como já te falei aqui, morro de preguiça de projetos quadrados. Isso, não é com ela. Este ano a Vivi montou seu espaço físico, onde trabalha com sua equipe em projetos e oficinas. Então, puxa uma cadeira e toma esse chá com a gente!

 

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Foto: Blog dcoracao.com

Ateliê Casa de Maria: Vivi, conta um pouco do antes: como era sua vida e o que você fazia antes do Dcoração? Quando o jornalismo e o design de interiores se encontraram?

Vivianne Pontes: “Eu já fiz tanta coisa! Já trabalhei como garçonete, intérprete, professora de inglês, farmacêutica (fiz Farmácia na Universidade Federal de Ouro Preto), produtora de teatro (fiz Artes Cênicas, também na UFOP), pesquisadora (na área de engenharia genética, fora do Brasil), recepcionista, gerente de empresa, secretária, professora de Química. Contando, parece mais de uma vida. Mas na verdade acho que a vida toda eu procurava algo que eu amasse fazer, a ponto de nem parecer trabalho. Quando eu comprei meu primeiro apartamento (depois de ter morado em 13 outros endereços na vida), eu percebi que a vida inteira decorei minhas casas, e que também por isso gostava tanto de me mudar. Foi aí que percebi que poderia fazer disso uma profissão, e fui estudar Design de Interiores.”

Ateliê Casa de Maria: E como o jornalismo te ajuda, te inspira?

Vivianne Pontes: “Eu me considero uma curadora de referências. Passo horas do dia buscando referências e filtrando o que pode ser aplicado em minha casa, ou nas dos meus clientes. Não só o jornalismo, como a vida, me ajudou a ter uma memória de elefante para estas referências.”

 

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Foto: Instagram @dcoracao

Ateliê Casa de Maria: O dcoracao.com foi criado em 2007. São sete anos em atividade e sendo referência para tantos outros blogs e profissionais. Você observa mudanças na decoração de lá pra cá? Quais seriam as mais significativas?

Vivianne Pontes: “Eu acho que o dcoracao.com não mudou muito. O que mudou foi o público, que hoje aceita com mais facilidade as referências que apresento, de faça-você-mesmo e mão-na-massa. A gente – como um povo – está aprendendo a ser responsável por nossa casa. E a razão não é só o aumento do preço da mão de obra, mas o aumento do gosto pela decoração. Decoração é hoje uma paixão como a gastronomia foi na última década.”

 

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Foto: Instagram @dcoracao

Ateliê Casa de Maria: Fica claro desde o início do blog a afirmação que casa é diferente de lar. E realmente é. Na sua opinião, quando as casas deixaram de ser lares? Hoje há uma necessidade de resgatar isso?

Vivianne Pontes: “Ainda me lembro que, quando criança, ganhar uma boneca era algo importante. O presente vinha acompanhado de uma história. Primeiro vinha a pergunta, em mal interpretada naturalidade: “Filha, o que você quer ganhar de presente de aniversário?” Depois vinha o esforço de meus pais para comprá-la. Quando a boneca chegava embrulhada em papel de presente, com dobras e flores de fita plástica, era a felicidade pontuando a história. Depois vieram os anos 80, o consumo de massa, e as lojas de 1,99. E uma boneca se tornou só uma boneca entre tantas. Nos tornamos menos sensíveis aos presentes. A indústria e as grandes cadeias de lojas fizeram com que a ligação entre nós, consumidores, e quem fez o produto fosse perdida. (Bem, algumas substituíram essa ‘ligação’ pelo SAC, argh!). Foi esse movimento de consumo pelo consumo, e de produção em massa, que tornou as casas impessoais. Mas como não há mal que nunca se acabe, a internet, ela mesma, a que tanto nos desconecta do mundo real, veio nos dar uma nova oportunidade de redescobrir o entusiasmo. A internet agregou os artesãos, mostrou novas possibilidades, e deu voz pra quem quer resgatar o sentido das coisas.”

 

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Foto: Blog dcoracao.com

Ateliê Casa de Maria: Há algum tempo assisti a um episódio do programa Casas Brasileiras, do Canal GNT, onde mostrava a decoração da casa de um grande empresário e a de um gari. As duas com a cara de quem vive nela. Na sua opinião, a decoração é possível para qualquer um? O que falta ser compreendido por aqueles que dizem que não?

Vivianne Pontes: “A decoração é possível para qualquer um. Ponto. Decorar é arrumar a casa, torná-la harmônica com a nossa história, ou com quem a gente quer ser, com nossas referências. Decorar é saudável. Entretanto é preciso ter em mente que o que é “lindo” pra mim pode não ser pra você. Não existe só uma forma certa de decorar, da mesma maneira que não existe só uma forma certa de ser gente.”

 

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Foto: Instagram @dcoracao

Ateliê Casa de Maria: Hoje, com um grande arquivo de textos e fotos, com colaboradores e parceiros o seu blog é um dos principais do país neste segmento. Como você avalia essa ferramenta, o blog, e como se manter bem e feliz trabalhando com um?

Vivianne Pontes: “O dcoracao.com me traz muitas alegrias. Foi o primeiro blog de decoração faça-você-mesma do Brasil e hoje ele tem um arsenal enorme de referências pra quem quer deixar a casa mais bonita, independente do orçamento. Acho que os blogs trouxeram isso que faltava na imprensa tradicional: as novas possibilidades, independente do orçamento. Eu não trabalho apenas como blogueira, afinal minha paixão é o design de interiores e também necessito – tanto como pessoa, quanto como blogueira, pra apresentar melhor as informações – da experiência prática. Assim, a #oficinadcoracao (que é um bebê, nasceu este ano)  divide espaço com o escritório do blog, meu escritório de design de interiores e com o ateliê de marcenaria. Aos poucos vou mostrando a evolução no dcoracao.com e também no Instagram @dcoracao.”

Ateliê Casa de Maria: Obrigada, Vivi, a Casa tá sempre aberta pra te receber!

28 mar 2014

Chá com A casa que minha Vó queria

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Gente, toda vez que sei que vou soltar um bate papo aqui (ó eu falando como se o blog tivesse 25 anos?) Sério, repara, toda vez que sei quem vai vir de uma próxima, fico por dias pensando na pessoa. Fico puxando da memória a primeira imagem, o primeiro contato, a primeira clicada, a primeira vez que vi o nome. E com a Ana eu lembro bem. Muito bem. Marido diz que tenho ouvido de tuberculoso e o blog tem me feito ganhar a alcunha de “memória de elefante” também 😀

Mas eu lembro que fui pesquisar sobre uma das poucas novelas pelas quais me interessei (não assisto uma há quase duas décadas) Daí digitei algo sobre a “Cordel Encantado” e apareceu um link. Achei o nome interessante e divertido, óbvio que cliquei. Pronto! Era o lindo A Casa que minha Vó queria Me perdi por lá. Li o post sobre a visita da Ana, que passeou pelos bastidores da novela, conheceu o Cauã Reymond, teve a camisa inebriada pelo cheiro do galã e quis leiloar a mesma! Hahaha Me ganhou, a empatia foi enorme. O tom coloquial, o ar despojado e saber que ela era nordestina me fez adicionar o blog a minha barra de favoritos e ele nunca saiu de lá. Nos dias depois da descoberta, as visitas só aumentaram. Eu acho que isso aconteceu há 3 anos ou mais. De lá pra cá, clicar no ACQMVQ virou rotina, assim como em outros blogs de gente que admiro, tenho carinho e vontade de dengar. É. Tenho mesmo e podem achar que sou dãã. Tenho uma felícia dentro de mim, gente, não tem como controlar por vezes.

O ACQMVQ é talvez pra mim, o espaço virtual do país com a maior quantidade de projetos de decoração de casa possíveis de se fazer. E sem ajuda do blog eu nem teria começado a pensar em pintar minhas paredes. As dicas são ótimas, super bem explicadinhas e foi assim que tomei vergonha na cara coragem pra tal. Ana é mãe do Vinícius e do neném recém chegado Bernardo. Junto com o marido Léo parecem máquinas incansáveis que botam pra fazer o tempo todo e compartilham descobertas com a gente sempre. Atingem um grau de DIY créu 59. Sério, ultrapassam qualquer expectativa criando desde pequenas peças, a camas, estantes, tudo e mais um pouco. Ela montou há algum tempo um espaço de venda para estas criações, o A Casa de Criação a Vó queria e atenção, clicou aqui, nê, já era, tu vai sair de carrinho cheio.

Eu poderia ficar tempos por aqui falando da Ana porque a admiração é enorme, mas deixo que ela mesma fale. O bate papo foi ótimo e eu não poderia ter ficado mais feliz! Bora acompanhar?

Aninha ACQMVQ copyAteliê Casa de Maria: Ana, em um post de fevereiro de 2013 você conta sobre sua tatuagem desta cadeira linda. E diz que a vida estava em nova fase.  Foi aí que entendeu que o Design de Interiores entrava de vez e pra sempre em sua vida? Porque escolheu esta área?

Ana: Acho que sim, hahaha. Tatuei a cadeira pq realmente amo o design dela e virou meio que uma queridinha, além de representar o meu amor por decoração, realmente AMO colocar as coisas “no lugar” aqui em casa.

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Ateliê Casa de Maria: De que forma nasceu a necessidade de criar um blog?

Ana: A ideia do blog surgiu depois que me “juntei” com o Leo. Não casamos, não tivemos presentes de casamento e tudo foi comprado aos pouquinhos. Como a grana naquela época era super curta, fui atrás de alternativas e vi que era possível decorar gastando pouco. Fiz um primeiro blog que acabou, e depois de um tempo resolvi voltar com um novo, o ACQMVQ.

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Ateliê Casa de Maria: A gente percebe em diversas postagens o valor que você dá a decoração feita com paciência, aos poucos, da forma possível para cada um. Por quê?

Ana: Porque essa é a melhor forma de você decorar com personalidade, com coisas que te agradam e te fazem feliz. Imagina só ter que decidir tudo de uma vez ? Parece bom, mas na minha opinião vai faltar muita coisa, principalmente amor. (Piegas, mas verdade, hahah).

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Ateliê Casa de Maria: Como o Léo, seu marido, resolveu escrever? De que forma isso aconteceu?

Ana: Pela minha insistência, hahaha. Agora ele pegou gosto pela coisa e só não posta mais que eu por falta de tempo, ele adora!

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Ateliê Casa de Maria: Certa vez li alguém questionar sobre quem fazia escolhas por uma decor vinda de grandes lojas, de catálogos, de um padrão. Mas talvez o que não tenha sido questionado é que os donos destes locais só podiam ter acesso a este tipo de decoração, a esta loja e a esta informação. O que pensa sobre isso?

Ana: Eu acho que tem gente que se importa e outras não. Por exemplo, aqui em casa o carro vai pro lava jato uma vez por mês, vive sujo e empoeirado, simplesmente a gente não tem muito cuidado (além das manutenções) porque não é algo que nos importamos de fato, se nos levar para os lugares, está ótimo. Já tem pessoas que lavam o carro semanalmente e tem todo o cuidado de deixá-lo sempre um brinco. Tem gente que apenas acha legal escolher o que está mais acessível ou contratar um arquiteto/decorador pra resolver tudo por ele. E ainda, tem as pessoas que realmente não tem acesso a informação, e que acham que o que encontram nas lojas é a única alternativa.

Não adianta julgar, cada um vai por um caminho né? Eu escolhi o meu e estou super satisfeita, haha.

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Ateliê Casa de Maria: Ana, sua ideias são sempre muito originais e possíveis, o que é melhor. O que te inspira? De que forma o Nordeste colabora com isso?

Ana: Sou muito intuição, então acho que não tem algo específico. Sou pernambucana, moro no interior, gosto da minha cultura. Tudo aqui colabora com a “vibe” da nossa casa, mas também não gosto de muitos clichês, então sempre tem algo inesperado acontecendo.

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Ateliê Casa de Maria: Você tem o Vinícius e agora o Bernardo. Foram eles que te inspiraram a criar o Cabaninha ou a decor infantil sempre te encantou mesmo antes de virar mãe?

Ana: Certeza que foram eles. Pena que não dei conta por causa do Casa de Criação. Tá engavetado, mas um dia vamos continuar com o Cabaninha.

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Ateliê Casa de Maria: Ana, pra finalizar, você é uma blogueira admirada por milhares de seguidores. Imaginou isso em alguma hora? O que tem a dizer às novas blogueiras?

Ana: Hahaha, não sei se milhares, mas tem um pessoal gente boa que sempre tá visitando o blog. Fico feliz e encabulada sempre que alguém fala comigo na rua, morro de vergonha mesmo e quase sempre não sei como reagir, hahaha. Se eu imaginei? Nunca!!!

O que eu tenho a dizer é que comecem um blog  movidos unicamente pela paixão por algo, mesmo que esse algo seja apenas escrever sobre muitos temas, mas tem que ter paixão.  Produzam tb seus conteúdos de forma original, a gente já tem muita coisa igual em todos os lugares 😉

Ateliê Casa de Maria: Aninha querida! Meu obrigada imenso a ti! Minha Casa tá sempre de portas e janelas abertas pra você.

 

25 mar 2014

Cor de prata da casa

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Eu adoro saber que tenho por perto gente que admiro. Por mais que o contato não seja constante é bom observar estas pessoas, saber o que fazem. Quando elas fazem arte então, aí eu adoro mais ainda. Hoje tenho duas garotinhas queridas que há um bom tempo queria aqui. Na verdade, quando tive a ideia de lançar o blog, já sabia que uma pauta seria com elas.

A Flávia Almeida e a Meg Sousa  ilustram lindamente. Conheço as duas daqui da cidade. Flavinha foi minha colega de inglês no século passado (hahaha ok, não divulgaremos números!) e da Meg, me aproximei com a ajuda da noite, cervejas e barzinhos hahaha além dela ser namorada de um amigo querido.

A Meg é uma historiadora de 28 anos, nascida em Salvador e hoje mora aqui no interior. Sempre gostou de desenhar, mas achava que isso era só um hábito de criança.

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Pelas coisas difíceis que essa vida de meu deus traz, ela voltou a desenhar. E também teve a ajuda da irmã mais nova, afinal, o que criança bem tem é lápis de cor, canetinhas e a tentação foi grande. Em pouco tempo os rabiscos se tornaram constantes. Uma forma de comunicação: “no início era mais uma coisa minha, mas descobri que também era um jeito de falar e comecei a postar alguns no Facebook. Acredito que algumas pessoas de alguma forma se identificam, principalmente os amigos, alguns já transformaram meus rabiscos em tatuagens” conta Meg.

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A menina que desenha ao som de alguma boa canção, nunca fez cursos ou especializações pra tal. Mas confessa que é curiosa e sempre tá atrás de ilustradores, artistas. Pra desenvolver os desenhos, escolheu as canetinhas hidrocor, aquarela e lápis de cor. Os traços das obras da Meg são perceptíveis: os olhos e bocas das personagens são marcantes. E num é que parece com a própria Meg? 😀 Eu olho e já sei que é ela. Que é dela. As inspirações são muitas: “eu desenho quando dá vontade… É também como as coisas saem de mim… Um amor, uma tristeza, uma alegria, uma amizade, um filme, uma música, um livro, uma viagem, um carnaval… Eu não sou muito de falar ou escrever e é assim que os desenhos aparecem” diz ela.

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Ela ainda não pensa em comercializar seus rabiscos apesar dos pedidos: Eu não pensava em formalizar, muito menos comercializar, mas algumas pessoas já me falaram, me pediram ou me perguntaram se estava a venda… Talvez, quem sabe, um dia… (rs) Eu sou uma taurina muito preguiçosa…”diz ela. O que eu faço com esses taurinos, minha genten? Raiai!

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A Flavinha mora em Salvador hoje. Tem 27 anos e desde que estudamos juntas, em 1520 como ela lembra 😀 😀 muita coisa aconteceu. Ela seguiu o fluxo e correu atrás daquilo que a deixa bem e em paz. Fez psicologia e agora uma pós em Acupuntura.

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Os desenhos sempre estiveram presentes: “Eu sempre desenhei algumas besteiras nos cadernos da escola, post-it, lista telefônica, enquanto conversava com alguém. Até que um dia um amigo, prestando atenção nessa tendência, me deu uma aquarela de presente… Daí eu consegui abrir mais uma porta pros rabiscos. Mas eles continuam assim, saltando do inconsciente, desde não-sei-quando.” 

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Os rabiscos, geralmente de personagens femininos, possuem traços próprios que é a assinatura da Flavinha. Estes detalhes, desenhos de corpos esguios nasceram naturalmente e quando se percebeu, já tinha esta marca que ela faz questão de preservar. Mistura técnicas como aquarela, hidrocor, lápis de cor e uma cerva gelada pra amenizar o calor no reino do dendê!

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Ultimamente as criações de andrógenos tem sido seu foco. Nada que, como ela diz, consiga explicar racionalmente. E a arte não precisa mesmo, né?

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Ela considera suas criações simples e são cheias de significados: ” “minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos” (risos). Tem muita coisa que vejo na internet que me inspira, muitas aquarelas, muitos amigos, muita arte de rua. Filmes, músicas. Meus desenhos acabaram virando minha maneira de comunicar… São meio autobiográficos. Eu sou inspirada pelos acontecimentos, no geral.” E ainda: “Sou eu tentando me explicar.” E a gente te entende, Flavinha!

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Meninas, Meg e Flavinha, obrigada por compartilharem as histórias de cores e desenhos com a gente. Que bom saber como os traços fazem sentindo na vida de vocês. Que eles inspirem todo mundo que visitar o Casinha! Me animo em até mostrar os meus…hum hum, senta aí, Claudia! Hahaha

E vocês aí? Curtiram? Espero que sim! Bjbj, people!