18 fev 2014

Passeio por Sampa. Parte II e fim!

Postado por: Eva Mota

Ooo, eu bem que queria ficar uma semana escrevendo sobre Sampa, mas aí vocês iam cansar. É muita coisa, muito detalhe e já viu como eu gosto de conversar, né? Postei ontem também a primeira parte dessas impressões e deu pra ter um noção por onde a gente passeou, por onde paguei mico e hoje eu encerro com outras lembranças dessa viagem mais que especial. Ok, dessa vez não tem mico, tá bom?  Tava pegando mal demais pra minha pessoa. No último post podia até ter falado da nossa visita ao Ibira e das inúmeras idas e vindas à Paulista, mas não tinha foto nenhuma: o cel ficou em casa carregando 🙁 Mas tem outros lugares tão bacanas quanto pra dividir.

Aqui em casa a gente adora a cultura oriental. Depois que vi que na História da Arte, o oriente foi berço de tanta coisa, inclusive influenciou e muito ocidente, me apaixonei mais ainda. Marido também. Como professor de Fotografia pro curso de Cinema, praticamente dorme com as obras de Kurosawa. Daí era lei ir à Liberdade. E adoramos o lugar! Eu me senti meio Alice no país das maravilhas, porque saí da toca, digo, do metrô e entrei em outro lugar, fui direto pro Japão. As ruas cheias das lanternas características desse povo, gente de olhinho puxado falando o que você não entende nada por todos os lados, livrarias com vários produtos, tudo em japonês e até o semáforo era com a iconografia do país.

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Descemos por toda Galvão Bueno e quando a gente já tava no fim, bemmm lá embaixo, tinha um japinha mexendo no gás da lanchonete e BOOMM! A gente ouviu um baita estrondo! Todo mundo se assustou, mas graças a deus não teve nada. Fomos informados que foi só um escape de gás. Mas quem era doido de descer mais adiante? Oxe, eu não. A gente voltou e não terminamos o passeio por ali. Já morrendo de fome, paramos pra comer no Okinawa. Beleuza de creuza! Uma delícia tudo! De lá, marido foi pra Livraria Sol que mais tarde eu também iria e me apaixonaria pelos livros de craft japonês. Ele lá e eu cá olhando as lojinhas de papelaria, acessórios e ah…elas…lindas…reinando como magnatas: as luminárias de papel!

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A gente foi embora querendo ficar, mais tinha mais lugar pra ir. É que tava perto da hora do filme começar. Fomos pra rua Augusta, que liga o bairro Jardins ao Centro. Lá tem o Espaço Itaú de Cinema (com aquele teto P&B mara) e a gente não perdeu tempo. Vimos “Cidade Cinza” e “Trapaça” (Preferi a trilha sonora ao roteiro). A rua é bem descolada, mas passeamos pouco por lá. Esse dia foi mais light, a perna já tava doendo de tanto rodar de lá pra cá.

Um outro lugar que fomos mais sossegados foi o MIS – Museu da Imagem e Som. A gente tava calminho, mas quando cheguei lá, tóinnnn! Liguei! Acelerei! Mas não era pra menos! A Expo de David Bowie era simplesmente fabulosa. Eu escutava pouco o som do David, mas voltei de lá ouvindo tudo o que posso. O cara influenciou demais o que nos cerca, não só a música e a moda, mas o design e a performance. Uma das mensagens passadas pelo Bowie e que foi a marca da Expo era de que a gente pode ser quem a gente quiser. Daí eu tive um “brainstorm” sabe? Comecei a pensar um monte de loucura, ideias, algumas desconexas e é preciso anotar pra depois juntar os nós. Marido adora fazer clique quando tô com cara de doida, pensando com olhão arregalado, falando sem parar. Mas desta vez não vou assustar vocês, chega de pagar mico. Me cobri com meu óculos e meu cabelo 😀

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O artista, com sessenta anos de estrada com certeza foi quem mais se destacou na cultura contemporânea. Seja pela liberdade, pela personalidade ou estilo. A gente faz um passeio único pela história da vida e da carreira do Bowie por meio de roupas, filmes, fotografias, cenários, itens pessoais como anotações, diários, partituras. Meu cantinho preferido na Expo foi a parte de “Starman”. É um cantinho mesmo, recuado, cercado por telas e espelhos que projetavam o clipe e recebia um modelo com o macacão usado pelo Bowie para este trabalho. Muito bom!!

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DavidBowieMIS

Ao lado do MIS, no MUBE – Museu Brasileiro da Escultura, acontecia a Paralela Móvel, evento voltado pra Arquitetos, Design de Interiores e pra quem é da área. Onde podia, cliquei. Foi muita informação boa, modelos de móveis, exemplos de utilização de materiais diferenciados e propostas de criação. O acesso à parte interna da Paralela só era permitido com a comprovação de que você era da área. Eu tenho a carteirinha da Associação Brasileira de Designer, mas tinha saído sem ela neste dia. Ó céus. Tive um treco e quase passei dessa pra melhor. Mas me recompus e saí dali felizinha da vida com o que tinha conseguido ver.

 

MUBE

Pra findar o meu relato sobre a passagem pela terra da garoa, onde mais eu poderia ficar por horas, conhecer e surtar com tanta coisa? Isso. Na 25 de março. Antes, te digo que segui a dica da minha querida Ju Padilha e fui parar próximo ao metrô da Praça da Árvore pra conhecer de perto os tecidos da Renata Blanco. Cada uma mais colorido e de ótima qualidade que o outro. Voltei com alguns metros e ótimas escolhas! Já já saem pecinhas novas pra lojinha <3

Aí, chegando ao final, puxo da memória o passeio pela 25 de Março. A 25 fica no imaginário de toda comerciante ou artesã, né? Cresci ouvindo sobre as oportunidades de compras deste lugar e do verdadeiro ritual que é pra ir e permanecer por lá: é roupa adequada, calçado confortável, água, sacola ou mochila apropriada e uma listinha de endereços pra facilitar a vida. Hoje a gente já pode contar com os melhores destinos pra quem é crafter com a ajuda da net. Quem tiver indo ou até mesmo quem é de Sampa, vale muito a pena ler as dicas que a própria Ju deu pro Superziper. Então euzinha aqui, já sabia o que queria. Claro que topei com coisas fora do roteiro, mas fui certa do que queria. Fiz muita pesquisa também pela net e fui depois das 15h da tarde. Tava movimentado, mas não tinha aquela correria.

Peguei a linha azul do metrô e desci na Estação São Bento. A gente sai direto numa ladeira íngreme pra caramba, parecidas com a do pelô. É a famosa ladeira Porto Geral. Ela dá acesso à parte das ruas principais do lugar, inclusive, a própria 25. Tem lojas no térreo e várias outras distribuídas pelos prédios enormes e antigos. Muita loja de roupa e outras tantas de acessórios. Confesso que nada disso me chamou a atenção, não faz meu estilo. Claro, eu ainda não tinha chegado ao meu destino final.

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Pelo caminho a gente vai encontrando de tudo, de tudo mesmo, até um rabo de cavalo me ofereceram. Não gente, quieta, mais cabelo aqui vou precisar de 4 braços pra desembaraçar meu fuá.

As lojas por onde escolhi passar, lógico, foram as de tecidos, botões e aviamentos. A primeira onde fui foi a Fernando Maluhy e voltei de lá cheia de coisa linda. Ainnn, um paraíso, mas os preços não são tãooo em conta assim. Mas fui também à Niazi Chofi e à Comercial Ceval. Gostei do preço das duas últimas,  adorei o atendimento da primeira e com certeza quando voltar à Sampa, retorno às três! Achei a Ceval um dos melhores lugares pra quem trabalha com patchwork. Pude encontrar estampas diferentes das que via aqui e saí com um sorriso de orelha à orelha.

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Fui também ao Armarinho Becel por sugestão da Ju Padilha e amei! Geennte do céu, é o paraíso dos aviamentos e os preços são melhores que os dos outros lugares por onde passei. Para outros tipos de acessórios, fui à A Gaivota. Já comprava por ela pela net, mas agora tive a oportunidade de comprar sem frete, né? Ô beleza.

Depois das compras, fomos almoçar do Mercado Municipal. O lugar é lindo, as barraquinhas lotadas de frutas super frescas e no andar de cima, os famosos quitutes de bacalhau e mortadela. Confesso não ter tido coragem de provar o sanduíche. Pô gente, é meio quilo de mortadela! É muittaaa comida. Daí comemos os famosos pastel e bolinho de bacalhau do Hocca. Pra subir de volta a ladeira Porto Geral foi um suplício!

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Mas mesmo com dificuldade pelo tamanho da pança e da sacola, foi um passeio perfeito e já tô morta de saudade de São Paulo. Da minha tia, das minhas lindas e queridas amigas Julianas, das novas amigas e amigos que fiz, das gargalhadas que dei, das lágrimas, dos lugares por onde passei, das sensações, impressões, dos cheiros, dos gostos, dos sons. A São Paulo nua, crua e cruel eu me deixo esquecer, mesmo tendo dado atenção a algumas questões: arrogância, intolerância vinda das diferenças sociais, culturais, geográficas, das opções sexuais e falta de educação eu vi demais. Soou absurdamente retrógrado pra uma cidade tão desenvolvida. Mas, sendo feita por gente, não tem como ser diferente. Gente limitada, que pensa pequeno, mesmo tendo acesso às melhores informações, não muda. A evolução não está nas localizações geográficas, no poder financeiro ou no status social. Vem de berço uma conduta democrática e de tolerância, baseada no amor e no amor ao seu semelhante.

Volto feliz porque lá só me fez reafirmar o que penso, como a gente deve ser singular, ser o que somos, carregar nossa essência pra onde formos. Sermos inteiros, com verdade. Volto feliz por tudo que vi, vivi e aprendi. Por ter compartilhado tanta coisa boa com gente do bem. Por ter solidificado amizades que quero que estejam para sempre em minha vida. E já com saudades destes que me fizeram confirmar que existe sim, muito amor em SP.

Obrigada, Sampa e até a próxima!

 

 

 

 

 

  • Yara Aguilar

    Como você é detalhista, você conta parece que agente tá com você!
    Menina tá aí um lugarzinho que me chama: Liberdade!
    Mas,você aproveitou pra caramba,hein?!Em tão pouco tempo conheceu tanto lugar bacana,só os “top”!!!
    E a 25 hein?!Coisa de doido!!
    Foi o ultimo post de Sampa,mas tenho certeza que tem bastante novidade por vir!!
    Beijú!

    • Ainn Yarinha, obrigadão, mesmo! Por onde passei, adorei, de coração. Tentei aproveitar o máximo que pude. Em breve volto, se deus quiser!

      Tenho novis sim, já já te mostro! Deixa o carnaval passar!

      Um bjão!

  • Giovanna Bacelar

    Ahhhh!! Quero conhecer SP urgentemente!! <3

    • Ainn Gigio, vale mto a pena! Tenho certeza de que vc vai amar! <3 :*