10 mar 2014

Carnaval sem igual!

Postado por: Eva Mota

E aí, amorecos, todo mundo belezinha?

Agora parece que as coisas entram nos eixos, pegam no tranco, põem pra fazer e põem pra andar. Findou-se o carnaval. (Senta, Claudia, espera pra ver na Copa) Mas chega de folia e simbora trabalhar. Só que antes deixa eu dividir com vocês mais um passeio MARA que eu fiz?

Como disse antes, carnaval pra mim era sinônimo ou de trabalho ou de fuga dos principais circuitos baianos. Esse ano não seria diferente, ia fugir como louca do lepo lepo em direção a uma baita cachoeira. Mas aí pintou meio de última seguir pro Recife, lugar que amo. E claro que aproveitei, né? A chance era, não só de me divertir, pegar praias lindas, mas também conhecer a festa deste estado com quem tenho tamanha afinidade.

O resultado foi muita coisa linda vista, muita diversão, música, e também uma verdade: não sou das melhores foliãs (ou foliona como manda a gramática culta). Só aguento dois dias. No terceiro já pedi uma praia, relax.

Chegamos na quinta à noite, então só descansamos. Na sexta de carnaval a festa já acontecia no centro do Recife . Em Olinda muitos lugares ainda se arrumavam, mas já tinha pequenos blocos na rua. Rodamos um pouco a noite e fomos pro centro do Recife pegar a abertura oficial da festa. Foi lindo até onde aguentamos ver. Eram mais de 20 atrações, entre os Maracatus, artistas locais e de nomes nacionais. Naná Vasconcelos comandou tudo, junto com 600 percussionistas. Marcelo D2 apareceu e misturo rap, samba, maracatu com outros artistas. Foi uma delícia de arrepiar. Ainda nesta noite pude conhecer Claudionor Germano, cantor Recifense super tradicional, intérprete de grandes e antigos frevos que fizeram geral dançar horrores. Ele já tá um senhorzinho de cabelo pintado e foi surpreendente ver jovens, crianças cantando suas músicas. Mais tarde voltaríamos pra casa com a sensação de mais um encontro de batidas perfeitas.

No sábado durante o dia organizamos idas e vindas ao centro, aos mercadinhos ainda abertos. Já noite, era hora da primeira esperada folia: o show do muso Lenine. Meu segundo grande ídolo. O carnaval no Marco Zero do Recife antigo era do jeito que queria. Sem cordas, todo mundo junto e misturado, mas com fruição, dava pra gente ir e vir, sem ficar naquela loucura apertada, morrendo quase sufocada. O calor escaldante era aliviado com as baforadas de ar morno que vinha da direção do Capibaribe.

Lenine sobe ao palco por inteiro, numa vibe incrível como nunca vi em outros shows. Era a terra dele, era diferente. “Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..” foram as primeiras frases deste hino que todo cantor entoava para os foliões. Não tinha como ficar parado. Foi uma festa linda, cheia de confetes e serpentinas, fantasias e muito frevo.  As participações foram emocionantes. Lenine homenageou o mestre Domiguinhos trazendo três grandes músicos e seus acordeons: Renato Borghetti, Waldonys e Toninho Ferragutti. Fez todo mundo cantar num só coro. Chorei, pra variar. Não deu pra pensar muito, só sentir quando TODO mundo cantava “Lamento Sertanejo” Afff, me arrepio só de digitar.

O show foi desenrolando e ele misturou os antigos sucessos com os últimos do disco ” Chão”. A uma altura dessas, o Leão do Norte já tava pingando de suor. Não parava, era correndo de lá pra cá, uma coisa de louco, vibrante, pulsante. Há algum tempo, se não me engano desde o início da turnê “Chão”, ele traz o filho Bruno pra tocar com ele, afinal, artista bom é assim, reconhece o poder da juventude. Sabe que há trocas salutares e possíveis entre as gerações. Cantei, pulei, derreti até o final. Lelê deu tchau anunciando o próximo mestre: Gilberto Gil. Meu primeiro grande ídolo!

Ah gente, nem sei o que falar, só sei que foi maravilhoso. Nunca tinha visto o Gil tocar. E naquele lugar, naquela vibe, num momento tão lindo só podia ser especial. Gil entra e abre com uma releitura super moderninha de “Realce” e geral levou ao pé da letra: quanto mais purpurina melhor!  Eita que a gente se acabou. A banda impecável do mestre foi um pouquinho prejudicada com as microfonias, mas rei que é rei sabe contornar a situação. Gil mais uma vez brilhou e brilhou. Parecia um menino, mesmo nitidamente abatido e voz rouca. Imagino a maratona pra dar conta das festas, camarotes e trios em Salvador. Mesmo assim chegou perto do público, fez a dancinha clássica. No repertório, principais canções que fez dele o pai do reggae nacional. Não foi tudo carnaval e zoeira no show, impossível, era um espetáculo mesmo. Como pular sem prestar atenção na letra de “A Novidade” ?

Mas como generoso, reconheceu a importância do momento, de cantar na terra do frevo. Ele mesmo diz que isso é tão importante que até hoje só conseguiu compor um frevo. Em uma entrevista a um jornal Pernambucano neste mesmo período, Gil afirma a relação entre os dois lugares, Bahia e Pernambuco, cita a influencia do Frevo no surgimento do nosso Trio Elétrico, lembra que os carnavais, baiano e pernambucano bebem da mesma fonte afro (e bebem mesmo) e que por isso, precisam deixar os bairrismos de lado. Danças e ritmos, como alguns maracatus e o dançante galope são exemplos dessa mistura, dessa gente tão igual.

Tá vendo que não foi só zoeira? Deu pra refletir demais vendo o mestre, fora as viagens que tive, traçando paralelos entre ele e Lenine. Pensa aí e vê como se parecem? Ai, ai, foi lindo no final. Gilberto Gil terminou fazendo uma farra no Marco Zero e me homenageando (Ah, nem precisava..) Cantou “Toda menina Baiana”  Êêêê que aí nem sentia minha lombar, mas pulei como se tivesse numa cama elástica. Foi mágico e vou levar essa noite comigo pra sempre! Daqui em diante, confere algumas fotos que fiz pelo celular (péssimas por sinal) e as que a amiga e fotógrafa Érica Daniela fez da festa e gentilmente autorizou a postagem aqui pro blog:

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Foram mais de 60 pontos que promoviam o carnaval na cidade e com diferentes manifestações, artistas e públicos. Durante dia e noite não teve quem reclamasse, era pra todos! No sábado durante o dia, acontece o que talvez seja um dos maiores encontros do carnaval: o Galo da Madrugada. Uma multidão acompanha esta obra linda, um galo giga pelo centro do Recife, pelas pontes, tudo ao som do frevo. Tem quem vá na muvuca gostosa, quem prefira o camarote e quem vá de barco <3. Este ano o Galo saiu às sete da manhã. Pensa? Acordar e tomar café com frevo? 😀 😀

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Não fomos pro Galo, fomos pra Porto de Galinhas, aquela praia linda do município de Ipojuca, pertinho do Recife. Na volta, demos um pulo em Olinda sem ver a programação, por isso, pegamos poucos bloquinhos. Por lá é mais diferente, menor, mais raiz sabe? Os bloquinhos vão subindo as ladeiras entupidas de gente com a banda no meio delas. Mesmo com calor e aperto, a galera do sopro não desafina! Olha mais registros da Dani, que curtiu muito!

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No domingo voltamos à praia. O corpo pedia sossego e descanso. E foi assim até a nossa saída de Pernambuco. A festa continuou rolando por dias, com atrações super bacanas, mas a gente já tava extasiado. A gente queria ter tido pique pra aguentar mais dias, pegar os shows de Nação Zumbi, Alceu (Clássico!!) mas preferimos pegar estrada antes dos congestionamentos pra ir descendo meu Nordeste querido e bater num lugar lindo. Na segunda fomos voltando o percurso.Paramos em Maceió. A cidade tava em festa, porém tranquila. Não tinha tanta gente, embora lá tenha o “Pinto da Madrugada” hahaha.

Seguimos pra Maragogi, ponto turístico. Bastante conhecida pelas praias com águas cristalinas, a cidade é perto de Maceió e tava cheia. Mas valeu muito a pena! Fizemos passeios mais que indicados pra quem vai ao lugar pela primeira vez. As famosas piscinas de águas claras são fantásticas! Ficam bem no meio no mar, há quilômetros da praia. Cada barco ou lancha tem uma direção e um número certo de passageiros, porque o governo não permite uma quantidade grande de gente nas piscinas. Daí fomos de lancha pra praia de Maragogi. No outro dia, seguiríamos pra São Bento. A lancha voava e a gente tomava altos banhos, uma delícia! Quando chegamos entre os arrecifes, ó lá as piscinas? Rasas e translúcidas, a gente mergulha entre os peixes, muito lindo! Fiquei com sorriso de orelha a orelha!

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Tiramos um dia pra bater perna pela orla de Maceió e paramos no bairro Pajuçara. Almoçamos no Pavilhão das Artes, um prédio bem bacana, onde cada andar abriga artesãos com diversas artes e técnicas. Já conhecia muitas delas, mas ver algumas de perto me deixou bem empolgada.

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Adorei ver os artigos em linha de algodão. São toalhas de mesa, roupas e até brincos feitos com os fios coloridos. É como uma linha mais grossa, porém engomada. Tudo, mas tudinho feito à mão <3

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E o que me fez apaixonar foram as luminárias! Olha que coisa, gente: Esta primeira aqui ao lado esquerdo, é feito com palha de coco! Depois de secas, tingidas e envernizadas, os artesãos montam as luminárias, amarrando as palhas com cipó fino ao redor da instalação elétrica. Adorei mil vezes. Já as outras também são lindas. As maiores, mais compridas, são feitas em cabaça. E as menores, bem redondinhas, são feitas em Coité, as duas são frutos e eu jurava que eram a mesma coisa. Mas a vendedora disse que não. Não sei também como eles dão as cores nos furinhos, mas adorei o efeito!

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No dia seguinte era hora de voltar. Fomos pra Aracaju mas chegamos à tardinha, não deu pra conhecer muito. Só dormimos lá e voltamos pra Bahia. Passei ainda dois dias na casa da minha mãezinha, dando e recebendo dengo e chegamos neste fim de semana aqui em Vitória da Conquista. Daqui que arrume mala e o apto sujo que só, foram mais dois dias até pra organizar as ideias e postar pra vocês, queridos. Agora chega de viagem que tem muita coisa pra fazer nesse apto. Tá, tá… ao menos por enquanto 🙂

Bjbj, genten!

 

 

 

 

 

  • Carolina

    Lindoooo….