17 fev 2014

Passeio por Sampa. Parte I!

Postado por: Eva Mota

Depois que peguei o metrô sentido estação das Clínicas e me despedi da Fran na Vila Madalena, desci pra Benedito Calixto. Volta aqui que cê vai entender meu trajeto. A regra era ir no sábado, dia da feira. Desci parte da Teodoro e cheguei à Benedito. Liguei pra minha tia que tava de plantão na Farmácia e a esperei por lá. Tudo que bem que ela só foi chegar duas horas depois, início da noite e eu já tinha visto tudo só. Mas não teve problema. Aliás, teve: eu quase tive um treco e não tinha ninguém pra me socorrer! É muita lindeza junta, minha gente! Tudo e mais um pouco que queria pra mim, pra minha casa, pra presentear a família, amigos, massssss os preços são salgados para o meu bolso furado e claro que não trouxe tudo o que queria.

A feira é extensa, entupida de gente dentro da praça e ao redor dela. Tem barzinhos e outras lojinhas, tudo lotado. Minha tia é cliente há mais de uma década do Consulado Mineiro e foi lá que começou meu mico. Depois te conto. Pois bem, tava lá eu passeando perdida por tanta coisa linda. Além dos produtos, tinha a feirinha gastronômica e um grupo de chorinho me fazendo suspirar. Uma delícia! Selecionei algumas fotinhas. Esta primeira é o motivo do meu passamento: telefone e maquininhas de costura. Ainnn! Raspei meu bolso e escolhi o telefone. Ok, ok, eu sei que já tinha um azul, mas queria um verde. É coisa de afeto e de origem do meu ser. Já falei que esta cor foi a primeira palavra que disse em vez de “mama” e “papa”. Então, comprei um verdão bandeira que já tinha embalado e não saiu na foto. Prometo mostrar mais pra frente!

Telefonemaquininha

É coisa, viu? Como acessórios em prata antiga, câmeras fotográficas, itens de cinema, fora coisinhas femininas super românticas.

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Uma infinidade de puxadores lindos, miniaturas de móveis, luminárias. E pra fazer as vezes de uma cidade de interior: um realejo! Mto amor <3

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A gente encontra de tudo na Feirinha, até a Thammy Gretchen hahaha. Sério, ela tava circulando por lá. E aí eu já tinha rodado tudinho e cansei. Tava um sol punk na cabeça mais cedo e pra completar, cometi o GRAVE erro de não beber água. Tá, tá, é o início da justificativa pra minha pagação de mico em plena Benedito. A noite chegou junto com minha tia, de folga, na maior alegria querendo tomar aquela Original lá no Consulado. O garçom amigo colocou a gente em uma boa mesa e ali sentada, avistei em meio a muvuca, um amigo de infância da minha irmã! Ô mundo redondinho, gente, numa volta, todo mundo se bate. Ele e a namorada moram em SP há tempos e sentamos pra atualizar as vidas. O papo foi massa, cheio de lembranças, risadas e alegria. A Feirinha acabou, a praça esvaziou e eu já tinha parado de beber. Porémmmm, os efeitos já tomavam conta do meu ser. Pausa dramática.

Minha tia esperta, deu logo a ideia de ir pra um lanchonete que não lembro o nome, bem antiga que ela frequentava há anos e que lá no fundo, bem perto do banheiro (ô deus) tinha um Karaokê…. Adivinha? Como dizia Caulby :” Cantcheiiiii, cantcheeiiiii, nem sei como eu cantchava assim! Só sei que todo cabaré  lanchonete, me aplaudiu de pé quando cheguei ao fimmmm!!” Geeeente do céu, quem tava na lanchonete foi comprando ficha, comprando ficha, levantou pra dançar e a gente fez uma festa hahahah. Ó que foi verdade!

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Depois de mais de 20 músicas e eu sem voz, a lanchonete já tinha passado do horário de fechar e o garçom botou a gente pra fora hahahahahhaha. Ok, eu ri de mim mesma. Mas ele era gente boa, foi super educado. Descobri que ele era da Bahia também e lembrava de mim quando era repórter de Tv! Só sei que no fim, o bichinho lamentou que a gente foi embora. Ownnn, eu prometo voltar, aquecer o gogó e ensaiar o repertório hahahahah. Tá, já parou de rir da minha cara? Agora vamos pra parte cultural desta viagem, porque não só na bagaceira vive esta pessoa. Mico 1.

 

Circuito Cultural

Certo, já me recompus. E digo que a visita ao MASP e ao Museu da Língua Portuguesa foi muito emocionante. Muito mesmo. Aproveitei a folga de marido e fomos juntos. Não rolou foto dentro do MASP, até mesmo porque chorava, chorava, não consegui pensar em registrar clandestinamente nada. Só mesmo viver aquilo ali. É que tava de frente com o muso. O mestre Van Gogh. Obras que estudava e que fizeram um enorme significado vê-las de perto. Ai gente, é de sentir, não de falar, sabe? Eu via o caminho do pincel de cada tela, cada uma pintada num momento diferente. Dois retratos me chamaram a atenção por já conhecer sobre elas. “O Escolar” e “A Arlesiana”  fazem parte da fase em que ele vai pra Arles, sul da França, buscando contato com novas possibilidades e inaugura um traço novo, mais colorido, leve, que lembram os Fauvistas como Matisse. Isso era de um baita contraste diante de outras telas como ” O Banco de pedra do asilo Saint Remy”. De uma tristeza que só e me emocionei horrores. Junto com as obras de Van Gogh, telas de Manet, Degas, Cézzane, Gauguin, Renoir, Toulouse-LINDO-Lautrec, Picasso e outros compõem a exposição “Passagens por Paris”. Arte Moderna na Capital do Século XIX. E por todo o MASP, mais marcos da História da Arte e mais chororô. Mondigliani, Goya e uma escultura em mármore, a “Hegeia” de IV A.C. Isso, antes de Cristo, minha gente. É ou  não é de petrificar?

Masp

Indo pro Museu da Língua Portuguesa, parei embasbacada com a Estação da Luz. Que lugar incrível. É de um fotografia maravilhosa (ó eu falando que nem marido de cinema?) Mas é mesmo. Grande palco de produções audiovisuais. Saindo de lá, um piano faz parte da intervenção “Toque-me. Eu sou teu!” E fica lá de boa pra quem quiser tocar. Tudo bem que eu não sei quem tá pior, eu ou o pobre piano. Enquanto eu errava um acorde, ele respondia com uma tecla muda e o nosso concerto durou pouco, muito pouco. O barulho do trem era mais atraente hahaha. Mico 2.

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A passagem pelo Museu da Língua Portuguesa também foi de borrar o rímel mara da Maybeline. Fomos direto pro 3º andar e depois de vermos o vídeo projetado sobre as origens da língua falada no Brasil, a tela “abre” e o público tem acesso a um galpão escuro, como um planetário, com projeções de poesias e outros textos de diversos autores. O áudio faz tudo tremer. Minto, era o trem que passava embaixo e eu achei que era efeito. Mas a sensação é única. Tudo é escuro, só as projeções por todos os lugares, nascendo do chão, indo ao teto, correndo as laterais do lugar, uma experiência sensorial além de visual. Engraçado como a Bahia se faz mais uma vez presente na terra da garoa de forma particular e marcante. A primeira canção, que entra e nos arrebata nessas duas salas são de Bethânia, quase um entidade com aquela voz e a outra é do mestre Caymmi. Ah Bahia, me mata de amor por você, não. Ô gente besta que perde tempo desdenhando de ti e do teu povo.

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Descemos pro segundo andar e lá mais experiências únicas. Um corredor forma a enorme galeria de 106 metros. O documentário ” Babilônia” do mestre Coutinho era exibido por toda ela. Ali também tem totens, painéis, recursos interativos que revelam características e origem da língua falada e escrita de cada região do país. Quis logo saber de onde vinham as que eu e os meus usamos: dengo, beiju, cangote e… xoxota. É, eu quis mesmo, oxente.

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Por fim, no primeiro andar, a expo de Cazuza lindo. Ainnn que delícia. “Cazuza mostra sua cara” revela o lado mais compositor do artista. Mostrando todo o contexto social e cultural que ele nasceu e cresceu. Tem instalações maravilhosas e que te surpreendem, como a do telefone que toca e quando a gente atende é o próprio Cazuza suuper empolgado falando de um show! Sensacional!

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Um outro lugar incrível é a Pinacoteca. Mell dellls é muito bom, instigante! Bem que minha querida Ju Amora tinha falado que era um dos lugares preferidos dela. O lugar abriga centenas de obras modernas e contemporâneas. Te coloca de frente com tanto artista inovador e você entende quanta mente brilhante você precisa conhecer. Uma das exposições que mais gostei foi a da artista Luzia Simons que fez ampliações fotográficas magníficas. Os quadros gigantes ficam no centro da Pinacoteca.

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Ai ai, eu fico revendo e revendo as fotos, pra que cada impressão e bom sentimento não saia de mim. Mas já já eu volto pra lá e compartilho coisa boa cocêis. Ó, este é o início do  fim de post sobre Sampa. Amanhã te conto mais das minhas impressões sobre a Liberdade, o MIS e pra fechar com linha, pano e tesoura de ouro, a 25 de março!

Bjbj!

 

 

 

 

 

 

 

  • Lorena Almeida Sampaio

    amo e amo cada história/fotografia/alegria aqui, compartilhada!

    • E eu amo cada carinho/comentário/fofura sua! Obrigada demais, Lore! <3

  • Ana Claudite Pina Costa

    Eva, estes passeios são realmente fantásticos. Ler seu texto foi passear pelas minhas lembranças. Foi tomar café novamente na Pinacoteca; foi se encantar no museu da nossa linda e língua portuguesa, foi ver o filme Central do Brasil passar pela cabeça , enquanto atravessava a Estação da luz. São Paulo e suas descobertas. Eu acho que existe amor em SP.

    • Nooossa, Luana, que bom que te ajudei a relembrar tanta coisa boa aí dentro. É uma descoberta a cada quadra, a cada lugar. E não sei se aconteceu contigo, mas lá me fez amar ainda mais ser de onde sou. Não só pela contribuição que nosso povo deu, mas porque ela te instiga a ser você mesma. Singular. E isso a torna super rica. Existe mesmo muito, mas muito amor em SP <3

  • Yara Aguilar

    Ri horrores do seu “mico”,o que é que uma baiana tem,hein?! Um trio elétrico todo dentro dela!!Rerere…
    A feira é de se apaixonar e fiquei doida pra ver seu telefone adoro verde bandeira!!
    Viajei junto com você nos museus,essa parte não tem preço né?!
    Emocionante!
    Tô amando o fluxo de posts!!
    Beijús!

    • Yarinha hahaha pra falar besteira é por aqui 😀 😀 Que bom que pode se guiar por meio das palavras. É isso que busco mesmo. Um bjo grande e obrigada sempre pelas visitas!

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