O Porquê

“Ô, Mãe… É assim?” Quantas vezes dona Maria ouvia isso? Enquanto ela costurava, a sobra do tecido virava saia pra minha boneca. E é claro que tinha de me certificar sobre o serviço que fazia. E se a saia ficasse folgada na cintura da Barbie? (O que sempre acontecia, confesso, mas também, com aquela cintura…). Foram muitas tardes quentes da minha infância deitada no chão ao som do barulho da Singer de dona Maria. Ali era a hora de ouvir as histórias sobre vó Dete, vô Osmar e os outros membros da família que faziam arte com as mãos.

Quando não ficava no chão costurando, era brincando de casinha, por sinal, gosto herdado de dona Maria. Era comum voltar da escola e a casa tá diferente, com móvel fora do lugar num intervalo de um dia. Era coisa dela também me chamar pra ajudar a criar os desenhos para as provas dos seus alunos. O que sobrava, pintava e recortava. Daí era fácil inventar brinquedos e apetrechos. Lembro até hoje de dois computadores, cheios de botões estilo nave espacial, com telões e radares feitos de caixas de papelão. A mania de criar, de deixar tudo um pouco mais estimulante, mais belo. Foi assim que eu cheguei até este espaço virtual…

Aliás, falta uma parte importante deste caminho: Já em outra cidade, fora da casa de dona Maria, no então curso de Jornalismo, comecei a ouvir muito: “Ô, amiga… Faz pra mim?” Aí sim foi que a luzinha se acendeu! A gente sabe como essa coisa é. A ideia. Ela vem rápido, te leva pra vários lugares em segundos e te faz atravessar a rua na hora errada. Era uma amiga, dessas que vira sua irmã, que pedia um acessório. Fucei dias pela net em busca de inspirações e descobri um universo rico, lindo, criativo onde tantas outras pessoas pensavam como eu. De lá pra cá foram três anos só pensando e desejando meu espaço, físico e virtual. O primeiro chegou na forma de um apê pequenininho que chamo de minha gaiola. É aqui que esfrego uma mão na outra e testo minhas experiências. Já o segundo veio um ano depois. Agora. Na hora certa.

Agradeço aos queridos que construíram esta casa comigo. Aos designers gráficos Ana Luiza e Erick Santos por tanto esforço e dedicação. Cada um no seu tempo me aguentou por meses e me mostraram algo lindo que admiro no ser humano: boa vontade. Ao jornalista Aílton Fernandes pela amizade e atenção. Ok. E fofura também. Ao designer e programador Márcio Matos pelo extremo profissionalismo que ajudou a concretizar o sonho desta casa própria. Ao Rogério Luiz, companheiro de vida, pelo incentivo constante. A Dani Sinhoreli, primeira inspiradora, dona de um espaço onde tantas vezes meu coração depositou e se encheu de amor. A todos os amigos e amigas que alimentam sonhos e dividem comigo o que há de bom e engrandecedor na vida.

Aqui é meu espaço, meu diário (Que sempre tive, mas antes com cadeadinho porque minha irmã lia). É pra falar de tudo que me der vontade neste mundo de possibilidades. É uma homenagem a minha mãe Maria que continua a costurar lindos projetinhos.

 

É meu mundo de afetos que faço questão de dividir com vocês. Minha casa agora é a nossa casa. As portas estão abertas. Com muito amor, sejam bem-vindos!

Beijo beijo,

Eva.