14 fev 2014

Chá com Ju Padilha

Postado por: Eva Mota

Ebaaa, cê clicou mesmo no link, hein?? Que bom que veio parar aqui, pois esse Hora do Chá tá todo com gostinho especial de São Paulo. Tá entendendo nada? Então volta aqui que cê vai entender. Quem eu trouxe pra tomar um chá comigo dessa vez é uma querida a quem muito admiro e vocês já sabem disso, né? Então deixa eu ficar quieta e vamos conhecer um pouquinho mais sobre a minha convidada. Tá na Hora do Chá com Ju Padilha!

 

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Ateliê Casa de Maria: Ju, como a historiadora virou artesã? Quando percebeu que era a hora pra esta mudança?

Ju Padilha: Sempre fui uma pessoa criativa, desde pequena já pintava e tinha curiosidade por diversas técnicas, no entanto, a vida segue, dá suas voltas e profissionalmente escolhi uma carreira acadêmica. Durante 8 anos fui professora de geografia e nas horas vagas eu experimentava o artesanato em diversas formas, na época, meu forte era a pintura em camisetas, o blog surgiu com o nome de “Camisetinhas de Ju Padilha”. Mas foi com uma demissão, que tomei as rédeas do meu sonho, resolvi tirar 6 meses para decidir o que fazer e desde então não parei mais de criar! Os 6 meses, viraram 1 ano e que agora já são 5, trabalhando exclusivamente com as criações do ateliê Ju Padilha, em especial os acessórios para cabelo.

 

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Ateliê Casa de Maria: Eu venho de família onde mãe, irmã, tia, pai, marido foram ou são professores. Sei o quão difícil é esta função, mas também de uma beleza e importância imensuráveis. Você passou alguns anos em sala de aula. De que forma isso contribui hoje para o seu trabalho?

Ju Padilha: Ser professor exige muito jogo de cintura e amor por aquilo que se faz, acho que minha experiência em sala de aula, me ajudou a ter uma dinâmica muito organizada e este jogo de cintura. A capacidade de abstrair e transformar pensamentos em coisas concretas, afinal um professor precisa ser didático e tem que descobrir diferente formas de se comunicar com seus alunos, criando atividades que os ajudem com os conteúdos! Ou seja, diferentes formas de ver uma mesma coisa, acho que com este olhar consigo perceber muitas possibilidades para materiais distintos e assim, inovar em seus usos.  Ainda penso em hora-aula, kkkkk o que me ajuda a definir os custos!

 

Ateliê Casa de Maria: Vejo que algumas de suas postagens têm um tom profundo, de muita reflexão, valorização das raízes, resgate da nossa cultura. Você remonta à infância, ao interior, ao Brasil com cara e gosto de Brasil. Por quê?

Ju Padilha: Nestas horas a minha formação conta muito, sou encantada pelas raízes do Brasil, o sincretismo e as especificidades de cada um dos grupos que formaram nossa cultura. Em especial as estéticas africanas e indígenas, seus coloridos, materiais variados, rusticidade e ao mesmo tempo, objetos super elaborados. Acho incrível ver com os objetos do cotidiano destes grupos, juntam função e ornamentos de forma harmônica e acredito ,que por este motivo, eu goste tanto de criar objetos que tenham função e que não sejam apenas estáticos. Amo visitar o Museu Afro-Brasileiro no Ibirapuera, aqui em Sampa, com um acervo muito rico da chamada arte popular e com muitas peças de origem africana, para mim, sempre inspirador um passeio por seus corredores.

 

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Ateliê Casa de Maria: Fala um pouco do Coletivo Cirandeiras?

Ju Padilha: O Coletivo Cirandeiras é um acontecimento, quase natural, de amigas que se juntavam para conversar e apaixonadas pelo fazer  artesanal! Dessas conversas foi surgindo a ideia de elaborar oficinas que estimulassem a criatividade, ir além dos “Paps” , a ideia de que cada um carrega uma bagagem própria e que por este motivo, vai se expressar de uma forma única! Incentivamos este despertar, de conhecer a si como pessoa criativa! Fazemos isso por meio de pequenos encontros, onde temos uma proposta criativa e que cada pessoa vai responder `a ela `a sua maneira, conversamos, trocamos experiências e ao final, sempre uma alegria ver o que cada um fez! A criação é um prazer, faz qualquer pessoa  sentir-se muito bem, especialmente quando se trata de alguém que já nos avisa “não tenho habilidades manuais” ou “não sei pregar um botão, eu posso participar da oficina?!”. Lógico que pode, basta ter vontade criativa!

 

Ateliê Casa de Maria: É sabido os obstáculos que artesãos em nosso país enfrentam. Projetos como estes precisam ser mais incentivados e apoiados?

Ju Padilha: Acho que hoje em dia o artesanato contemporâneo tem encontrado seu espaço, assim como o artesanato tradicional que vem se organizando por meio de cooperativas e sendo cada vez mais valorizado. Muitas pessoas procuram o handmade por se tratar de produtos quase que únicos e todo o cuidado com que as peças são feitas. Acredito que o surgimento do MEI (o Micro Empreendedor Invidual) tem ajudado muito no sentido de permitir que o artesão-designer se profissionalize e saiba pensar em termos administrativos, o SEBRAE tem muito o que oferecer neste sentido. O que tem ajudado muitas pessoas a decidirem  seguir o planoB, a acreditarem em seus sonhos.

 

Ateliê Casa de Maria: Como crafter, acha que precisa ter uma identidade única ou experimentar, se permitir é melhor?

Ju Padilha: Adoro experimentar novas possibilidades! Mas é interessante também desenvolver uma identidade criativa própria, uma forma de ter seu trabalho reconhecido por um aspecto em especial, isso dá identidade `as criações! No entanto, são os experimentalismo que fazem as coisas evoluírem, que nos dão novas direções e nos mostram novos caminhos. Eu particularmente, tenho necessidade de novos desafios, muito tempo fazendo uma mesma coisa me entedia, gosto de desvendar processos, de criar coisas novas e isso só acontece, experimentando!

 

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Ateliê Casa de Maria:  Ju, você virou mãe de um menino lindo há pouco tempo. O que mudou na sua arte com a chegada do Francisco?

Ju Padilha: Não sei dizer se a chegada do Francisco mudou a minha forma de  criar, sei que mudou os meus horários, o meu ritmo de trabalho, mas não sei se as criações em especial foram modificadas! Mas sei, que com a chegada do pequeno, sinto uma alegria muito grande, olhar suas carinhas e ver a forma como ele descobre o mundo é uma coisa sensacional e isso me inspira muito! Esta inspiração toda, tem me deixado muito mais atenta e aberta `a tudo ao meu redor! Ser criativo é também estar atento ao mundo ao seu redor, perceber as possibilidades e com uma criança por perto, a gente percebe muito mais coisas! Francisco me inspira a descobrir o mundo junto com ele.

 

Ateliê Casa de Maria: Obrigada demais, Ju querida! Que a gente converse sempre e encurte essa distância sempre que pudermos. Obrigada pela generosidade em dividir com toda minha Casinha, sua história. Um beijo grande e minhas portas estão sempre abertas pra ter receber! <3